Angola prepara a adesão à comunidade anglófona

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Angola vai pedir a adesão à Commonwealth, a comunidade que junta os países de língua inglesa. Esta decisão foi anunciada pelo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, na sua conta na rede social Twitter.

“É esplêndido que Angola se queira juntar à família da Commonwealth. Saudamos o empenho do Presidente Lourenço em fazer reformas, no combate à corrupção e na melhoria dos direitos humanos. Esperamos saudá-lo brevemente no Reino Unido”, afirmou Boris Johnson.
 Numa entrevista concedida à rede de televisão Euronews, no âmbito da sua recente visita a França, o Presidente da República, João Lourenço, já tinha admitido esta possibilidade. 
“A exemplo do que se passa com Moçambique, que está ali encravado entre países anglófonos e acabou por aderir à Commonwealth, também Angola está ‘cercada’, não por países lusófonos, mas por países francófonos e anglófonos. Portanto, não se admirem que estejamos a pedir agora a adesão à francofonia e que daqui a uns dias estejamos a pedir também a adesão à Commonwealth”, disse o Chefe de Estado.
Moçambique, de expressão portuguesa, e o Ruanda, antiga colónia belga, são para já os dois únicos países-membros da Commowealth que não foram antigas colónias do Reino Unido.
Angola é um dos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e esta opção deve ser vista como uma forma de diversificar as suas parcerias, depois do esfriamento das relações com Portugal, em resultado do chamado “Caso Manuel Vicente”, considera o jornal português “Negócios”.
Em Maio, o Tribunal da Relação de Lisboa acabou por decidir transferir o processo para Angola, o que desanuviou as relações bilaterais, abrindo espaço para que o Primeiro-Ministro, António Costa, possa visitar o país.
Na entrevista à Euronews, o Chefe de Estado angolano assinalou essa circunstância. “As relações com Portugal vão bem. Estamos ansiosos em receber o Primeiro-Ministro, António Costa, em Luanda. A nível dos ministros das Relações Exteriores, os dois países estão a acertar datas, e isso vai acontecer a todo o momento”, disse o Presidente da República, João Lourenço.

Reacção do MIREX

O director para Europa do Ministério das Relações Exteriores, Francisco da Cruz Neto, confirmou o interesse do país e que está em curso um processo para efectivar a intenção manifestada pelo Chefe de Estado.
O responsável esclareceu que Angola ainda não aderiu, mas já manifestou a sua satisfação por esta disponibilidade demonstrada pelo Reino Unido. “Não é nada que já não tenha acontecido”, reforçou Francisco da Cruz Neto. 
Quanto à visita do Presidente da Re-pública à Inglaterra, o director para Europa do Ministério das Relações Exteriores, Francisco da Cruz Neto, afirmou que é algo que vai acontecer a qualquer momento.
Em Abril último, o Presidente da República foi convidado a visitar o Reino Unido. O Ministério das Relações Exteriores está a trabalhar na preparação de uma visita oficial do Presidente João Lourenço ao Reino Unido ainda este ano, informou o ministro Manuel Augusto, que falava num encontro com a ministra britânica para África, Harriett Baldwin.
A visita começou a ser preparada desde a tomada de posse do Presidente João Lourenço, não se tendo efectivado por questões relacionadas ao Brexit, processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Manuel Augusto sublinhou que a Grã-Bretanha também tem interesses económicos em Angola, em particular no sector petrolífero.

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