Angola conta com a França

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A Agência Francesa de Desenvolvimento vai investir em Angola 100 milhões de dólares no domínio da agricultura, anunciou ontem, em Paris, o Presidente Emmanuel Macron, depois da assinatura de quatro acordos de cooperação.

Os acordos foram assinados nos domínios da Defesa, Agricultura, Economia e Formação de Quadros, no âmbito da visita que o Presidente João Lourenço efectua a França.
Além disso, a França vai subvencionar 500 mil euros para a identificação de novos projectos. Emmanuel Macron acredita que os acordos rubricados vão levar maior empenho do seu país a Angola.
O Presidente francês manifestou a João Lourenço  “apoio total” às reformas que tem realizado em Angola e destacou a luta contra a corrupção, que tem sido o cavalo de batalha do Chefe de Estado angolano.
“Encorajamo-lo a prosseguir com as reformas no domínio económico e com a luta contra a corrupção”, disse Emanuel Mcron, sublinhando que “este é o caminho para melhorar o crescimento do país, criar mais oportunidades e mais emprego e acelerar a diversificação da economia”.
A França é o primeiro país da Europa que o Presidente angolano visita oficialmente desde que tomou posse, em Setembro do ano passado. João Lourenço justificou a escolha com o facto de ter sido recebido por Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, ainda na sua condição de candidato às eleições presidenciais realizadas em Angola.
“Não muitos tiveram este privilégio, e eu considero isso um grande sinal de confiança. Em jeito de retribuição,  nós decidimos  escolher a França como primeiro país da  União Europeia a visitar”, enfatizou.
João Lourenço acrescentou que Angola pretende estabelecer, com a França, uma verdadeira parceria estratégica e reforçar os laços de amizade e de cooperação em todos os domínios, com destaque para a Educação, Cultura, Defesa e  Segurança. 
João Lourenço sublinhou que “Angola tudo fará para que os acordos rubricados não fiquem apenas no papel”.
Manifestou também o interesse de Angola ser membro da Organização Internacional da Francofonia, mesmo na condição de observadora.
O Chefe de Estado angolano participou também num fórum com cerca de 80 empresários franceses, no MEDEF Internacional (Movimento das Empresas de França), durante o qual foram assinados vários acordos no domínio petrolífero. Um dos acordos prevê a atribuição do Bloco 48 à petrolífera francesa Total, a sua participação na distribuição e comercialização de combustíveis e a concessão de bolsas de estudo a 50 angolanos.
João Lourenço deslocou-se ontem à Assembleia Francesa, onde foi recebido pelo presidente do Parlamento, François de Rugy, além de ter visitado o  Instituto Nacional de Investigação Agronómica (INRA).

Clima de confiança
Na reunião com empresários franceses, João Lourenço afirmou que está a desenvolver “acções concretas” para “asse-
gurar a restauração do clima de confiança” no investimento. “Estão em curso acções concretas. Procuramos assegurar a restauração do clima de confiança e a normalidade nas relações económicas e comerciais entre as empresas e os nossos dois países e assim dinamizar o investimento. Nos momentos mais difíceis da nossa história, a França tem estado do nosso lado”, afirmou João Lourenço.
O Chefe de Estado angolano sublinhou, no início do discurso, que nesta sua primeira visita oficial a França fez questão “de manter contacto directo com empresários e homens de negócios franceses por considerar que podem constituir um factor relevante para o crescimento e desenvolvimento de Angola nos mais diversos domínios”.
“Na cerimónia da minha tomada de posse como Presidente da República de Angola, destacámos a França no restrito grupo de países com os quais o meu Executivo pretende estabelecer uma relação mais próxima, de real parceria estratégica, no interesse recíproco de ambos os países”, continuou. João Lourenço sublinhou que a visita a França “tem como objectivo fundamental sinalizar este grande propósito que pode começar a ser constituído a partir de agora”.
João Lourenço disse que quer reforçar as parcerias ao nível do sector privado, “com realce para o investimento directo em domínios como o do ensino e formação profissional, agricultura e agro-indústria, pescas, indústria transformadora e de materiais de construção, refinação e distribuição de derivados de petróleo e gás natural, construção e operação de infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias, portuárias, produção, distribuição e gestão de energia e água”. 
O Presidente da República recordou que a diversificação da economia é um “imperativo nacional” e que conta com a cooperação do governo e dos empresários franceses para o conseguir. “Temos consciência que para atrair investimento directo estrangeiro precisamos de adoptar um conjunto de medidas que visam melhorar, de modo significativo, o ambiente de negócios em Angola e conferir uma maior segurança jurídica ao investimento privado nacional e estrangeiro”, reiterou.
João Lourenço disse que “algumas destas medidas já estão em curso” e outras constam do programa de desenvolvimento de Angola para o período 2018-2022, apontando, por exemplo, a Lei da Concorrência, aprovada recentemente pela Assembleia Nacional, a nova Lei do Investimento Privado e as reformas em curso no sistema judicial para combater a corrupção.
Hoje, o Presidente João Lourenço desloca-se a Toulouse para visitar as fábricas da ATR e da Airbus, um liceu e uma cooperativa agrícola e o Instituto Nacional de Pesquisa Agronómica. A visita termina quarta-feira de ma-nhã, depois de uma entrevista colectiva à revista económica Valeurs Actuelles e aos jornais Le Monde e Le Fígaro e uma entrevista ao canal de televisão Euronews.

Angola acolhe Bienal da Paz

Angola acolhe, no próximo ano, a Bienal da Paz, anunciou ontem, em Paris, a mi-nistra da Cultura, Carolina Cerqueira, após a visita efectuada pelo Presidente João Lourenço à sede da Unesco.
A bienal é  um fórum em que vários países africanos vão discutir a paz, o diálogo, a tolerância, a harmonia, a liberdade de expressão e a coexistência pacífica entre os povos. Carolina Cerqueira não precisou a data do evento mas sublinhou que Angola vai criar as condições para acolher o maior número de países para a grande conferência sobre a paz regional. 
A ministra da Cultura qualificou de “grande simbolismo” a visita do Presidente da República à sede da Unesco. 
Segundo a ministra, o Presidente da República manifestou à directora -geral da Unesco, Audrey Azoulay, satisfação pelo apoio prestado pela elevação de Mbanza Congo a Património Cultural da Humanidade.
No Livro de Honra, o Presidente da República escreveu: “Gostaria de reconhecer todo o empenho da organização, que tornou possível a elevação  de Mbanza Kongo a Património Mundial da Humanidade. Este facto honra e engrandece o povo angolano, porquanto Mbanza Kongo foi a capital do Reino do Congo.” 
João Lourenço escreveu ainda que “Angola continuará a trabalhar com a Unesco em programas de Educação, Ciência e Cultura que possam servir  os nossos interesses e os da Humanidade em geral”.
Segundo a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, a directora-geral da Unesco  manifestou ao Presidente da República   disponibilidade de continuar a apoiar todas as candidaturas que Angola achar oportunas para valorizar o Património Mundial.
Audrey Azoulay garantiu ao Chefe do Estado angolano que a Unesco vai continuar a dar sequência ao plano de formação de quadros com base no projecto existente, com o patrocínio do Banco Africano de Desenvolvimento, ao mesmo tempo que anunciou a reactivação do CICIBA (Centro Internacional das Civilizações Bantu).
A directora-geral da Unesco disse que o facto de Angola ter um património mundial acarreta enormes responsabilidades. Neste sentido, aconselhou o país a criar uma Comissão Nacional da Defesa do Patrimó-nio Mundial. 
“Temos de continuar a trabalhar com a Unesco nos projectos existentes para a promoção de Mbanza Kongo como um sítio de investigação e cultura”, disse a ministra de Cultura.
O embaixador de Angola  na Unesco, Sita José, anunciou que o país vai submeter a segunda fase do projecto Mbanza Congo, que inclui parcelas fronteiriças do antigo Reino do Kongo com a RDC, Congo-Brazzaville e Gabão, com as propostas para a inscrição na lista de Património Cultural da Humanidade. 
O embaixador Sita José acrescentou que o país ganhou experiência na preparação de processos para aprovação na Unesco, depois do sucesso com a elevação da antiga capital do Reino do Kongo a Património da Humanidade.

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