Satélite continua em órbita

0
269

A avaliação técnica e científica do satélite angolano Angosat1 vai ser feita na próxima segunda-feira, em Luanda, num encontro bilateral entre o Governo angolano e representantes da empresa espacial russa Roskomos. A informação foi dada ontem pelo ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha.

O ministro garantiu que o satélite está em órbita e está a passar pela penúltima fase do programa, estando na sua décima terceira etapa. “Só no dia 23, em conferência de imprensa com a parte russa, é que teremos uma avaliação melhor da 13ª etapa do programa. É importante que se verifique que estamos a queimar 14 etapas, neste dia será avaliado o estado de saúde do satélite, onde serão verificados os parâmetros, avaliação técnica e científica”, disse o José Carvalho da Rocha.
O titular das Telecomunicações e Tecnologias de Informação referiu que não se pode agir fora das regras do contrato, que prevê todos os riscos. “O contrato tem seguro, só o satélite custou 120 milhões de dólares, o veículo de transporte são 100 milhões, a deslocação de Moscovo até à base também tem um valor. Todas essas etapas estão asseguradas e tiveram um custo de 320 milhões de dólares”, disse.
O primeiro satélite angolano AngoSat1 foi levado à órbita pelo foguete Zenit e lançado do cosmódromo Baikonur, às 20H00 (horário de Angola) do dia 27 de Dezembro do ano passado. Depois de oito minutos de voo, o foguete separou-se do bloco acelerador Fregat, que posicionou o satélite na órbita terrestre, como planeado.
Dias depois, a indústria espacial comunicou a perda de contacto com o satélite angolano, que foi construído por um consórcio russo, liderado pela corporação RKK Energia.
O AngoSat1 foi construído para garantir a comunicação e transmissão de televisão por todo o continente africano. Mas engenheiros do projecto tiveram que mudar uma parcela dos detalhes. A alteração pode ter causado complicações no funcionamento do aparelho.
O satélite tem cinco dias para encontrar a sua fase geostacionária e 24 para estar na zona de trabalho. A seguir, passa para a fase de testes, para avaliar as condições atmosféricas, num período de até três meses.
Após o período de testes, começa o processo de comercialização pelo Infrasat. O Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação definiu que, para as vendas do satélite estão reservados já 40 por cento para as operadoras, 10 por cento para os serviços de segurança e defesa nacionais e outros dez para acções sociais (como sectores da Educação e Saúde e pequenos negócios). Os preços dos serviços do satélite são os praticados internacionalmente, apesar de que a estratégia do Executivo seja torná-los mais atractivos.
O Angosat1 foi desenvolvido com o propósito de capacitar as empresas para o uso das tecnologias de comunicação mais modernas e inovadoras, possibilitando assim  a promoção e o desenvolvimento de novos produ-tos e serviços de informação e comunicação.
O investimento do satélite foi gerido por três contratos, nomeadamente, o da construção, aluguer do segmento espacial e do segmento terrestre, que ficou avaliado em 320 milhões de dólares, financiados por um consórcio de bancos liderados pelo VTB da Rússia.
A responsabilidade do Governo angolano foi garantir a formação dos especialistas e a construção de infra-estruturas em terra, que assegurem o apoio dos serviços de gestão do satélite.
O satélite vai ser monitorado a partir do centro de controlo, localizado na Funda, município de Cacuaco, em Luanda, e neste momento conta com 47 funcionários. O centro de controlo e missão de satélites vai controlar, rastrear e fazer a telemetria dos dados enviados pelo satélite Angosat1.

Vantagens do Angosat1
A entrada em funcionamento do Angosat1 vai permitir uma redução de custos das empresas de telecomunicações que operam em Angola, o satélite vai apoiar a distribuição de serviços de telecomunicações, televisão e Internet, contribuindo para a inclusão digital e coesão nacional dos angolanos.
As empresas do sector devem apostar em prestar serviços integrados e pagos numa única factura. Actualmente, as pessoas precisam de serviços de dados com mobilidade, principalmente os estudantes, que necessitam in-vestigar matérias ligadas à sua área de especialização em qualquer lugar.
O projecto vai também ajudar a criar competências no ramo da engenharia e tecnologia espacial, contribuindo, assim, para a diversificação da economia angolana.
O satélite angolano terá um tempo de vida útil de 15 anos e durante este período haverá necessidade de se pensar no Angosat2 e outros que se espera contar com a contribuição maioritária da mão-de-obra nacional.
Um dos grandes benefícios do satélite será a transmissão de conhecimento e facilitação das comunicações com os países africanos, como a RDC, Zâmbia e Rwanda que poderão usufruir da fibra óptica implantada ao longo do Caminho de Ferro de Benguela, está também em curso o cabo submarino da Angola Cables, que vai ligar Angola ao Brasil, sendo o primeiro que une o continente africano ao sul-americano, facto que facilitará as comunicações entre as duas margens do Oceano Atlântico.
Este cabo vai permitir a conexão no próximo ano a um outro cabo no Brasil do qual Angola também participou, que liga os EUA a esse país latino-americano.

Imprensa Russa
Informações divulgadas em meios de comunicação pelo mundo confirmam que desde o lançamento do satélite, a empresa espacial russa Roskomos continua sem comunicação com o Angosat1. Fonte ligada à empresa espacial revelou que depois de muitas tentativas para se estabelecer a comunicação e tomar o controlo do sa-télite não houve resposta do equipamento.
A fonte referiu que a situação continua a ser estudada por uma comissão interna da RKK Energia. Nenhuma comissão de investigação de avaria foi criada até agora como normalmente é usual neste tipo de situações.
De acordo com a imprensa da, as autoridades angolanas e russas começaram, no passado mês de Fevereiro, as ne-gociações para a criação de um novo satélite.
No final de Fevereiro uma comissão angolana esteve na Rússia para negociar a criação do Angosat2. Até agora, as duas partes continuam a analisar esta situação, que pode abrir uma troca a custo zero, por conta do seguro avaliado em mais de 121 milhões de dólares – valor assumido em partes iguais pelas empresas SO-GAZ e VTB – montante suficiente para garantir a sua construção sem nenhum rombo nas contas da RSC Energia.
Embora os 121 milhões de dólares sejam quase metade dos 320 milhões investidos por Angola no AngoSat1, a verba deverá ser suficiente para garantir o AngoSat2, calcula a imprensa russa, tendo em conta que as despesas com as infra-estruturas já foram realizadas.
Recentemente o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Rússa, Serguey Lavrov garantiu, aquando da sua visita a Angola, em Março deste ano, em Luanda, que o primeiro satélite angolano, produzido e lançado para o espaço por uma empresa da-quele país, continuava em órbita e deveria entrar em serviço neste mês de Abril.

 Visita da sexta Comissão da Assembleia Nacional

O ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, considerou a visita dos deputados da Sexta Comissão da Assembleia Nacional um bom exercício de  interacção.
“Recebemos deles diferentes observações para juntos encontrarmos as melhores soluções para prestarmos um bom serviço à população”, salientou.
O presidente da Sexta Co-missão da Assembleia Nacional, Manuel da Cruz Neto, referiu que a visita inseriu-se no programa de implementação e plano de actividades que engloba os sectores da Saúde, Educação, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia.
Manuel da Cruz Neto disse que a Sexta Comissão interou-se dos projectos que o Ministério tem para este ano e para o quinquénio, bem como as dificuldades que enfrentam.
“O objectivo é acompanhar o impacto de todo trabalho que o Ministério realiza e se reflecte na vida das populações. Estamos comprometidos com a melhoria do serviço público. Desta maneira viemos ouvir as opiniões sobre o que pretendem fazer. O nosso papel é ouvir as reclamações dos cidadãos e trabalhar junto do Ministério para prestarmos melhor esclarecimento e ver que meios e caminhos podem ser adoptados para que os problemas possam ser resolvidos”, disse o deputado.
Manuel da Cruz Neto considera que o Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação está num bom caminho, tendo em conta a questão do fim dos monopólios a nível das telecomunicações.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here