Organizações preocupadas com alterações a currículos escolares timorenses

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Díli- Várias organizações nacionais e 70 cidadãos timorenses escreveram ao Presidente da República a expressar preocupação sobre um conjunto de alterações aos currículos do pré-escolar e primeiro ciclo que consideram terem sido feitas sem avaliação científica adequada.,

A carta refere que as alterações foram aprovadas de forma “súbita” e vão contra vários estudos que apoiavam o currículo em vigor, e que se mantém apesar das alterações dos decretos, que só devem começar a ser implementadas em 2019.

Na véspera do chefe de Estado anunciar a dissolução do Parlamento  o que implicou que o executivo ficou em gestão  o Governo aprovou alterações a dois polémicos decretos de 2015, que introduziam o uso de línguas maternas no pré-escolar e arranque do ensino básico, colocando o português como língua principal apenas no 3.º ciclo.

Lurdes Bessa, vice-ministra da Educação, explicou à Lusa que os dois decretos-lei hoje aprovados alteram, respectivamente, o decreto 3/2015 sobre o currículo nacional de base da educação pré-escolar e o 4/2015 sobre o currículo do 1.º e 2.º ciclo do ensino básico, abrangendo todos os estabelecimentos de educação da rede pública.

“O que fizemos foi avançar com propostas de alteração aos dois decretos que definem o uso das línguas maternas em sala de aula”, explicou Bessa em declarações à Lusa, explicando que as mudanças reflectem o programa do executivo e as decisões do 3.º Congresso Nacional da Educação, que decorreu no ano passado em Díli.

Os signatários da carta pedem ao chefe de Estado, Lu-Olo, para que não promulgue as alterações consideram que o currículo em vigor “não ensina línguas nacionais (línguas maternas), mas permite aos professores nos anos iniciais usar essas línguas apenas quando necessário para apoiar a compreensão e a inclusão”.

“Esta metodologia foi demonstrada em vários estudos como levando a um melhor sucesso escolar para os estudantes. O objectivo final deste método é que todas as crianças do país tenham uma compreensão sólida de ambas as línguas oficiais, bem como a compreensão em matemática, ciência e outras disciplinas, antes do final do segundo ciclo”, consideram as organizações.

A carta é assinada pelas organizações Fokupers, Knua ba Labarik, Alola Foundation, ACbit, AJAR, La’o Hamutuk, Belun, Haburas, Permatil, MOFFE e Timor-Leste Women’s Network e ainda por 70 cidadãos.

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