George Weah anuncia revisão da Constituição

0
88

O Presidente da Libéria, George Weah, anunciou segunda-feira que vai propor a revisão da Constituição para suprimir uma disposição que reserva a cidadania às “pessoas negras” e reduzir a remuneração do Chefe de Estado em 25 por cento.

No seu primeiro discurso sobre o estado da nação, Weah, que sucedeu a Ellen Johnson Sirleaf, primeira mulher eleita Chefe de Estado em África, qualificou esta lei como “ra­cista e discriminatória” e considerou que ela impediu o desenvolvimento da Libéria ao longo dos anos.
“Acredito que não temos nada a temer se pessoas de outras raças se tornarem cidadãos liberianos”.
O antigo jogador africano a ser eleito melhor do mundo (1995) afirmou que a extinção dessa norma, que também impõe limites à propriedade privada, é um dos pontos mais urgentes da sua agenda, e apresentou a possibilidade de realizar um referendo para aprová-la.
Este artigo está presente na Constituição desde a fundação do país, em 1847, quando os escravos negros libertados nos Estados Unidos formaram a Libéria como um “refúgio para os homens de cor”, disse Weah, para quem a lei é “desnecessária, racista e inadequada para o lugar que a Libéria ocupa hoje na cena internacional”.
Negar a cidadania liberiana a pessoas que não são negras “contradiz a mesma definição da Libéria, que deriva do latim ‘liber’, ou seja, ‘liberdade’”, disse o Presidente.
Sobre as limitações que a Constituição estabelece à propriedade privada, somente permitida a cidadãos liberianos, Weah afirmou que “nenhum investidor estrangeiro iria querer investir no nosso país se não puder controlar as suas propriedades”.
O novo Presidente abordou outros assuntos durante o seu discurso, e anunciou que vai reduzir o seu salário em 25 por cento e que vai pedir uma auditoria sobre os orçamentos do país, embora não tenha esclarecido se será feita uma verificação completa dos 12 anos de Governo da sua antecessora, a Nobel da Paz Ellen Johnson-Sirleaf.
“Hoje anuncio, com efeito imediato, que vou reduzir o meu salário e benefícios em 25 por cento”, afirmou.
Além disso, Weah afirmou que, durante o seu mandato, vai se concentrar nos  esforços em melhorar as estradas do país, construir vias “de acordo com os padrões máximos internacionais”, que permitam “impulsionar a agricultura, o comércio e o turismo na Libéria”.

Transição democrática
A antiga estrela do futebol mundial, George Weah, assumiu no passado dia 22 a Presidência da Libéria sob a promessa de melhorar o emprego e a educação no país africano.
O vencedor da Bola de Ouro em 1995, quando jogava no clube italiano Milan, assume a Presidência da sua terra natal 15 anos depois das guerras civis que provocaram mais de 250 mil mortos.
Único africano a ser eleito melhor jogador do mundo pela Fifa, Weah sucedeu à Nobel da Paz Ellen Johnson Sirleaf, primeira mulher a assumir a Presidência, em 2005. Ela deixou o poder após dois mandatos de seis anos cada um.
A passagem da faixa presidencial do dia 22 marcou a primeira transição democrática na Libéria. A cerimónia decorreu no estádio Samuel Kanyon Doe, perto da capital Monróvia, onde Weah nasceu, em 1966.
“É a primeira vez que vejo uma passagem de poder pacífica na Libéria. Toda a esperança desse povo depende dele (Weah). Todos pensam que, se ele fracassar, a maioria do povo estará decepcionada com os políticos”, afirmara um vendedor ambulante Samuel Harmon, de 30 anos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here